Rede ObservaRH - Observatório RH da UFRN

03 de December de 2025

Portas que se abrem devagar: a caminhada do bacharel em Saúde Coletiva nos serviços públicos

Nos corredores amplos do centro de convenções em Brasília, um tema parecia se mover silenciosamente entre as discussões, como quem busca ser visto sem fazer alarde.

Era a presença do bacharel em Saúde Coletiva, profissional ainda jovem no cenário do SUS, mas que começa a deixar marcas nos serviços públicos.

O Observatório RH-UFRN levou ao congresso um relato de pesquisa que tenta entender esse processo de aproximação.

O estudo se debruça sobre editais de concursos e seleções públicas para descobrir onde esse profissional aparece, que funções lhe são oferecidas e qual espaço ele ocupa nas engrenagens que movem a saúde brasileira.

É um esforço que faz parte de uma investigação maior coordenada pela professora Janete Castro, construída como quem recolhe pistas para montar um retrato mais nítido.

Na apresentação do resumo do trabalho sob a forma de painel conduzida pela pesquisadora Thais Paulo, cada resultado parecia abrir uma fresta para ver o caminho percorrido até aqui. Nos editais analisados, surgem com frequência atividades que envolvem planejamento, gestão, vigilância em saúde, educação e elaboração de políticas.

São funções que exigem olhar atento para processos, capacidade de diálogo e disposição para enfrentar problemas que nem sempre cabem em rotinas previsíveis.

Thais destacou que essa distribuição de atribuições segue o que as diretrizes curriculares propõem, como se teoria e prática finalmente se encontrassem no papel oficial.

Mas o estudo também revela algo que não aparece em gráficos: a lentidão com que reconhecimento e oportunidade chegam. A inserção existe, mas avança aos poucos, como uma porta pesada que abre apenas com insistência.

Para que esse movimento ganhe força, a pesquisadora lembrou que é preciso tornar o bacharel mais conhecido, mais compreendido, mais convidado a ocupar o espaço que sua formação prepara para assumir.

Entre debates, apresentações e encontros improvisados nos intervalos do congresso, ficou a sensação de que a trajetória do bacharel em Saúde Coletiva está sempre em debate, sempre presente.

Uma história que se escreve nas margens dos editais, nas expectativas de quem se forma e nas necessidades de um sistema público que continua em movimento.

Mais relatos e pesquisas do Observatório RH-UFRN podem ser encontrados no site e nas redes sociais da instituição.